Por mais de uma década, uma série de jogos de luta reinou quase absoluta entre as adaptações de anime. Naruto: Ultimate Ninja Storm, do aclamado estúdio japonês CyberConnect2 (CC2), foi muito além de um simples jogo de luta, tornando-se um espetáculo cinematográfico interativo. Foi uma verdadeira carta de amor que permitiu aos fãs não apenas assistir, mas viver os momentos mais importantes da saga de Masashi Kishimoto.

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Quando o primeiro Ultimate Ninja Storm chegou ao PlayStation 3 em 2008, seu impacto visual foi imediato. A CC2 aplicou uma técnica de cel shading tão refinada que, em muitos momentos, era difícil distinguir o jogo do anime. A filosofia do estúdio era clara: o objetivo não era criar o jogo de luta mais balanceado, mas sim a adaptação mais fiel e espetacular possível. Uma curiosidade marcante do primeiro jogo foi a inclusão de uma Konoha totalmente explorável, um detalhe que infelizmente foi reduzido nas sequências, mas que ficou na memória.

Foi em Ultimate Ninja Storm 2 e 3 que a visão da CC2 se concretizou de forma magistral, principalmente nas batalhas contra chefes. Esses confrontos eram eventos grandiosos, repletos de Quick Time Events (QTEs) que, diferente de outros jogos, aqui serviam para criar sequências de ação de tirar o fôlego, idênticas às do anime. A luta de Naruto no Modo Eremita contra Pain em Storm 2 é, até hoje, um dos momentos mais épicos da história dos jogos baseados em anime. Ultimate Ninja Storm 4 concluiu a saga da Quarta Grande Guerra Ninja com um primor técnico ainda maior.

Mas nem tudo foram flores. A série sempre recebeu críticas pela jogabilidade superficial e que pouco evoluía entre os títulos. Jogos intermediários como Generations e Revolution, embora tivessem um elenco gigantesco de personagens, foram vistos por muitos como "fillers", com modos história fracos ou inexistentes. A grande polêmica, porém, estava por vir com Naruto x Boruto: Ultimate Ninja Storm Connections em 2023. Anunciado como uma celebração, o jogo foi duramente criticado por reciclar conteúdo de Storm 4 e, principalmente, por substituir as batalhas épicas por uma recapitulação da história contada com imagens estáticas do anime, uma decisão que frustrou profundamente a base de fãs.

Após a recepção controversa de Connections, o futuro da franquia entrou em um estado de total incerteza. Hoje, em agosto de 2025, não há nenhuma notícia oficial sobre um "Ultimate Ninja Storm 5" ou qualquer outro projeto da CyberConnect2 relacionado à série. O silêncio da Bandai Namco levanta debates sobre se Connections foi o ponto final da saga Storm, ou se o estúdio estaria se preparando para um recomeço, talvez focado inteiramente em Boruto e construído do zero para a geração atual de consoles.

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Apesar dos tropeços recentes, a influência da série Ultimate Ninja Storm é inegável. Por anos, ela estabeleceu um padrão de qualidade para adaptações de anime, mostrando a importância da fidelidade visual e emocional. O subgênero de "arena fighters" que ela popularizou foi copiado por muitos, mas raramente superado em seu espetáculo. Para milhões de jogadores, a série Storm foi a chance de segurar o controle e, por alguns momentos, se tornar o Sétimo Hokage.

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