Enquanto muitos jogos atuais levam o jogador pela mão com foco em experiências cinematográficas, uma franquia segue o caminho oposto. A saga X, da desenvolvedora alemã Egosoft, é uma odisseia espacial que entrega ao jogador uma liberdade quase assustadora sob o lema "Comerciar, Lutar, Construir, Pensar". Com uma curva de aprendizado que intimida até os veteranos, a série não busca agradar a todos. Em vez disso, ela oferece a um nicho de jogadores devotos o que muitos consideram ser o simulador espacial definitivo.

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A jornada começou em 1999 com X: Beyond the Frontier, mas foi no período entre 2003 e 2011 que a série se tornou uma lenda cult com X2: The Threat e, principalmente, a trilogia X3 (Reunion, Terran Conflict e Albion Prelude). A proposta era ambiciosa e direta: você é apenas um piloto em um universo vasto e dinâmico. O que fazer a partir daí era um problema inteiramente seu. Era possível erguer um império comercial, tornar-se um pirata temido, construir complexos industriais ou comandar frotas de guerra, tudo dentro de uma economia totalmente simulada onde facções de IA viviam suas próprias vidas.

Mas toda grande jornada tem seus percalços, e o da saga X quase foi fatal. Em 2013, a Egosoft tentou tornar a série mais acessível com X Rebirth, e o resultado foi um desastre. O jogo simplificou a fórmula ao extremo, prendendo o jogador a uma única nave e limitando a construção de impérios. O lançamento caótico, repleto de bugs e problemas de performance, gerou uma recepção brutalmente negativa da comunidade, que considerou as mudanças uma traição à essência da franquia. Por um tempo, pareceu que a saga havia chegado a um fim melancólico.

A redenção, no entanto, veio com força total em 2018. X4: Foundations foi, em essência, um pedido de desculpas e um retorno triunfal às origens. A Egosoft não só restaurou a liberdade total dos clássicos como a expandiu. Os jogadores podiam novamente pilotar qualquer nave, de um pequeno caça a um colossal porta-naves, e a construção de estações espaciais se tornou um sistema modular e profundo. O universo parecia mais vivo e reativo do que nunca, consolidando o jogo como a evolução que os fãs sempre desejaram.

Hoje, em pleno agosto de 2025, X4: Foundations continua a ser a plataforma definitiva da série. A Egosoft segue dando suporte robusto ao jogo com o lançamento de grandes expansões que adicionam novas facções e naves, como a mais recente, Timelines, que trouxe novas missões e mistérios ao universo. Não há qualquer menção a um "X5" no horizonte, pois o foco claro do estúdio é continuar aprimorando e expandindo a já imensa experiência de X4.

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O que define a franquia X é sua teimosia visionária. É uma série que se recusa a sacrificar sua complexidade em troca de apelo popular, exigindo dedicação e paciência de seus jogadores. Em troca, ela oferece algo cada vez mais raro: não apenas um jogo para se jogar, mas um universo inteiro para o jogador construir, gerenciar e deixar sua marca.

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